
De
acordo com dom Erwin, a demora na demarcação de terras indígenas é um
desrespeito à Constituição. “A Constituição de 1988 determinou um prazo
de quinze anos para esta demarcação em todo o território nacional. Nem a
metade destas áreas foram ainda demarcadas. Muitas estão em processo ou
engavetadas. Este é o motivo das hostilidades entre os que ocupam
ilegalmente estas áreas e os povos indígenas”, disse.
O
presidente do Cimi explicou que não se pode acusar os agricultores, já
que a grande maioria deles foi assentada em áreas indígenas pelo Estado.
“O governo nada ou pouco faz para dirimir esse conflito. É algo sério e
está acontecendo muito derramamento de sangue”, alertou. Por este
motivo, ele considera que a demarcação de terras indígenas deve ser
feita em caráter de urgência.
Dom
Erwuin explicou também a visão do Cimi a respeito das indenizações. “Os
agricultores devem ser indenizados. E que não seja apenas sobre as
benfeitorias.”. Ele também destacou que é preciso que as famílias sejam
reassentadas em outras terras e que se deve ter uma atenção especial aos
idosos. “É preciso ressarcir o suor derramando durante décadas”.
Na
fala aos participantes da Assembleia Geral, o bispo também denunciou uma
campanha anti-indígena que está deflagrada em todo o território
nacional e reafirmou a posição contrária à aprovação da Proposta de
Emenda Constitucional 215, em que a bancada ruralista deseja retirar do
Poder Executivo a prerrogativa de demarcar terras indígenas. “Esse
trabalho exige estudos etnológicos, antropológicos, cartográficos e
outros. Não é questão de votar. Isso é um absurdo. No fim das contas,
seria uma afronta, um retrocesso vergonhoso diante da opinião pública
mundial, se o Brasil permitir que os povos indígenas sejam, por meio
destas manobras, eliminados da face da terra”.
Fonte: Site CNBB
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