quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Diocese de Imperatriz faz abertura do Ano da Fé
A Diocese de Imperatriz realizará a abertura oficial do Ano da Fé com a Celebração Eucarística presidida por Dom Gilberto Pastana de Oliveira na Catedral Nossa Senhora de Fátima, às 19h00 de hoje, 11 de outubro. Unindo-se à Igreja de todo o mundo nesta celebração, a Diocese de Imperatriz convida todos os seus membros a se dedicarem neste ano na proclamação e aprofundamento da nossa fé. Uma das propostas da Pontifícia Comissão para a Nova Evangelização é que cada fiel católico reze o Credo Niceno-Constantinopolitano todos os dias, como oração pessoal e forma de assimilar, pouco a pouco, as principais verdades da Fé.
Rezemos juntos:
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus,
luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas.
E, por nós, homens, e para nossa salvação,
desceu do céus:
e se encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras,
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir, em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja,
una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo
para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e a vida no mundo que há de vir.
Amém.
Gaudet Mater Ecclesia!
Há cinquenta anos atrás, um homem de pequena estatura, idoso, que se achava um "desastre" frente às câmeras com seu nariz adunco e sua corpulência, iniciava o grande evento que marcou a Igreja Católica desde então. Em 11 de outubro de 1962, o Bem-Aventurado Papa João XXIII abria solenemente o Concílio Vaticano II. Para comemorar o cinquentenário desta data, apresentamos este vídeo, que é um trecho do documentário de La Grande Storia, da TV estatal italiana, a Rai, sobre o Concílio Vaticano II. O áudio está em italiano, mas disponibilizamos logo abaixo uma tradução do mesmo. No final do vídeo, ouve-se o Papa Bom pronunciar as primeiras palavras do discurso inaugural: Gaudet Mater Ecclesia. O texto integral pode ser consultado no site do Vaticano.
Tradução do áudio: Finalmente, é chegado o grande
dia. São 2778 os participantes. Avançam
em ordem hierárquica: 7 patriarcas, 80 cardeais, 1619 arcebispos e bispos, 975
superiores gerais das ordens religiosas, 400 teólogos. O cortejo começa às 8h30,
precisamente. Por uma hora e quinze minutos uma fantasmagórica procissão:
mitras e capas brancas, paramentos violáceos e anéis, coroas douradas dos
prelados de rito oriental, João fez reencontrar-se toda a Igreja! “Venerabiles
fratres! Gaudet Mater Ecclesia!”
Bento XI abre o Ano da Fé: "Redescobrir a alegria de crer!"
Bento XVI presidu a Missa com um total de 400 concelebrantes: 80 cardeais, 14 padres conciliares, 8 patriarcas de Igrejas orientais, 191 arcebispos e bispos sinodais e 104 Presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo. Estavam também presentes na Praça São Pedro Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, e o Primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams.
O Papa iniciou sua homilia explicando que a celebração desta manhã foi enriquecida com alguns sinais específicos: a procissão inicial, recordando a memorável entrada solene dos padres conciliares nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia do utilizado durante o Concílio; e a entrega, no final da celebração, das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica.
Bento XVI disse que o Ano da fé tem uma relação coerente com todo o caminho da Igreja ao longo dos últimos 50 anos: desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de Deus Paulo VI, que proclamou um "Ano da Fé", em 1967, até chegar ao o Grande Jubileu do ano 2000, com o qual o Bem-Aventurado João Paulo II propôs novamente a toda a humanidade Jesus Cristo como único Salvador, ontem, hoje e sempre.
Lembrando aquele dia, Bento XVI evocou o Bem-Aventurado João XXIII no Discurso de Abertura do Concílio Vaticano II, quando apresentou sua finalidade principal: “que o depósito sagrado da doutrina cristã fosse guardado e ensinado de forma mais eficaz”. Papa Ratzinger revelou aos presentes o que experimentou: “uma tensão emocionante em relação à tarefa de fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé no nosso tempo, sem sacrificá-la frente às exigências do presente, nem mantê-la presa ao passado”.
Para o Papa, o mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a atual, é reavivar na Igreja “aquela mesma tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, sempre apoiado na base concreta e precisa, que são os documentos do Concílio Vaticano II”.
“A referência aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrônicas como de avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança”.
De fato – prosseguiu o Pontífice – “os Padres conciliares quiseram abrir-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno justamente porque eles estavam seguros da sua fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do ‘depositum fidei’ a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade”.
Portanto, “se a Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização, não é para prestar honras, mas porque é necessário, mais ainda do que há 50 anos!” – exclamou. “Nas últimas décadas, observamos o avanço de uma "desertificação" espiritual, mas, no entanto, é precisamente a partir da experiência deste vazio que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus, que liberta do pessimismo”.
Este, portanto – concluiu Bento XVI – é o modo como podemos representar este ano da Fé: "uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas - como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão - mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o Catecismo da Igreja Católica, publicado há 20 anos".
Por fim, o Papa recordou que no dia 11 de outubro de 1962, celebrava-se a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. “Que a Virgem Maria brilhe sempre qual estrela no caminho da nova evangelização. Que Ela nos ajude a pôr em prática a exortação do Apóstolo Paulo: ‘A palavra de Cristo, em toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros, com toda a sabedoria... Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus. Por meio dele dai graças a Deus Pai’”.
(Fonte: Rádio Vaticana)
«Foi uma jornada esplêndida» recorda Bento XVI
Como anunciado no post anterior, publicamos um longo texto que o Papa Bento XVI escreveu como prefácio ao volume de suas Obras Completas (Opera Omnia) que recolhe os seus escritos do período do Concílio Vaticano II. Neste texto o Papa recorda a experiência vivida na grande assembleia eclesial do século XX e aponta algumas de suas principais consequências para a vida da Igreja hoje. Vale a pena ler esse testemunho!
Cardeal Frings e seu jovem assessor teológico no Concílio, Pe. Joseph Ratzinger
Há cinquenta anos, em 11 de
outubro de 1962, Papa João XXIII abria na basílica de São Pedro o Concílio
Ecumênico Vaticano II
Foi uma
jornada esplêndida quando, em 11 de outubro de 1962, com a entrada solene de
mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, abriu-se
o Concílio Vaticano II. Em 1931 Pio XII havia dedicado este dia à festa da
Maternidade Divina de Maria, em memória do fato que mil e quinhentos anos
antes, em 431, o concílio de Éfeso havia solenemente reconhecido a Maria tal
título, para exprimir assim a união indissolúvel de Deus e do homem em Cristo.
Papa João XXIII havia fixado para aquele dia o início do Concílio, a fim de
confiar a grande assembleia eclesial, por ele convocada, à bondade materna de
Maria, e ancorar solidamente o trabalho do concílio no mistério de Jesus
Cristo. Foi impressionante ver entrar os bispos provenientes de todo o mundo,
de todos os povos e raças: uma imagem da Igreja de Jesus Cristo que abraça todo
o mundo, na qual os povos da terra unem-se na sua paz.
Foi um
momento de extraordinária expectativa. Grandes coisas deveriam acontecer. Os
concílios precedentes haviam sido quase sempre convocados por uma questão
concreta à qual deviam responder. Mas desta vez não havia um problema
particular para resolver. Mas exatamente por isso deixava no ar um sentimento
de expectativa geral: o cristianismo, que havia construído e plasmado o mundo
ocidental, parecia perder sempre mais a sua força eficaz. Parecia haver
tornado-se cansado e parecia que o futuro viesse determinado por outros poderes
espirituais. A percepção desta perda do presente por parte do cristianismo e da
tarefa que lhe seguia era bem resumida pela palavra “aggiornamento” (NT:
colocar em dia, atualizar). O cristianismo deve estar no presente para poder
dar forma ao futuro. A fim de que pudesse tornar a ser uma força que modela o
amanhã, João XXIII havia convocado o concílio sem indicar-lhe problemas
contretos ou programas. Foi esta a grandeza e ao mesmo tempo a dificuldade da
missão que se apresentava à assembleia ecleial. Cada um dos episcopados
indubitavelmente se aproximou do grande evento com ideias diversas. Alguns
chegaram a ele mais com uma postura de espera frente ao programa que deveria
ser desenvolvido. Foi o episcopado centro-europeu – Bélgica, França e Alemanha –
que teve as idéias mais decididas. No detalhe o acento era colocado sem mais
sobre aspectos diversos; todavia havia algumas prioridades comuns. Um tema
fundamental era a eclesiologia, que deveria ser aprofundada a partir do ponto
de vista da história da salvação, trinitário e sacramental; a este se
acrescentava a exigência de completar a doutrina do primado do Concílio
Vaticano I através de uma revalorização do ministério episcopal. Um tema
importante para os episcopados centro-europeus era o renovamento litúrgico, que
Pio XII havia já iniciado a realizar. Um outro acento central, especialmente
para o episcopado alemão, era colocado sobre o ecumenismo: o sofrer em conjunto
as perseguições por parte do nazismo havia aproximado muito os cristão
protestantes dos católicos; agora isso deveria ser compreendido e levado
adiante também a nível de toda a Igreja. A isso se acrescentava o ciclo
temático Revelação-Escritura-Tradição-Magistério. Entre os franceses se colocou
sempre mais em primeiro plano o tema da relação entre a Igreja e o mundo
moderno, ou seja o trabalho sobre o assim chamado “Schema XIII”, do qual nasceu
depois a Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo. Aqui era
tocado o ponto da verdadeira expecativa do concílio. A Igreja, que ainda no
período barroco havia, em sentido lato, plasmado o mundo, a partir do século
XIX havia entrado de modo sempre mais evidente em uma relação negativa com a
idade moderna, só então plenamente iniciada. As coisas deviam permanecer assim?
A Igreja não podia dar um passo positivo nos novos tempos? Atrás da vaga
expressão “mundo de hoje” está a questão do relacionamento com a idade moderna.
Para esclarecê-la teria sido necessário definir melhor o que era essencial e
constitutivo da idade moderna. Isto não foi alcançado no “Schema XIII”. Se bem
que a Constituição pastoral exprima muitas coisas importantes para a
compreensão do “mundo” e dê relevantes contribuições sobre a questão da ética
cristã, sobre este ponto não conseguiu oferecer um esclarecimento substancial.
Inesperadamente,
o encontro com os grandes temas da idade moderna não acontece na grande
Constituição pastoral, mas sim em dois documentos menores, cuja importância
emergiu apenas pouco a pouco com a recepção do concílio. Trata-se antes de tudo
da Declaração sobre a liberdade religiosa, requerida e preparada com grande
solicitude sobretudo pelo episcopado americano. A doutrina da tolerância, tal
como havia sido elaborada nos detalhes por Pio XII, não parecia mais suficiente
diante da evolução do pensamento filosófico e do modo de conceber do Estado
moderno. Tratava-se da liberdade de escolher e de praticar a religião, como
também da liberdade de mudá-la, enquanto direito fundamental da liberdade do
homem. Das suas razões mais íntimas, uma tal concepção não podia ser estranha à
fé cristã, que havia entrado no mundo com a pretensão que o Estado não pudesse
decidir sobre a verdade e não pudesse exigir nenhum tipo de culto. A fé cristã
reivindicava a liberdade à convicção religiosa e à sua prática no culto, sem
com isso violar o direito do Estado no seu próprio ordenamento: os cristãos
rezavam pelo imperador, mas não o adoravam. Deste ponto de vista se pode
afirmar que o cristianismo, com o seu nascimento, trouxe para o mundo o
princípio da liberdade de religião. Todavia, a interpretação deste direito à
liberdade no contexto do pensamento moderno era ainda difícil, porque podia
parecer que a versão moderna da liberdade de religião pressupusesse a
inacessibilidade da verdade pelo homem e que, portanto, movesse a religião do
seu fundamento para a esfera do subjetivo. Foi certamente providencial que,
treze anos depois da conclusão do concílio, Papa João Paulo II tenha chegado de
um País no qual a liberdade de religião era contestada pelo marxismo, vale
dizer a partir de uma particular forma de filosofia estatal moderna. O papa
provinha quase de uma situação que assemelhava àquela da Igreja antiga, de modo
que tornou novamente visível o íntimo ordenamento da fé ao tema da liberdade,
sobretudo a liberdade de religião e de culto.
O segundo
documento que depois se revelaria importante para o encontro da Igreja com a
idade moderna nasceu quase por acaso e cresceu em vários estratos. Refiro-me à
declaração Nostra aetate sobre as relações da Igreja com as religiões não
cristãs. No início havia a inteção de preparar uma declaração sobre as relações
entre a Igreja e o hebraísmo, texto tornado intrinsecamente necessário depois
dos horrores da shoah. Os Padres conciliares dos países árabes não se opuseram
a tal texto, mas explicaram que se queria falar do hebraísmo, então se deveria
dar uma palavra sobre o islã. Quanto tinham razão a respeito, no ocidente o
compreendemos apenas pouco a pouco. Finalmente, cresceu a intuição de que fosse
necessário falar também de outras duas grandes religiões – o hinduísmo e o
budismo – como também do tema religião em geral. A isso acrescentou-se depois
espontaneamente uma breve instrução relativa ao diálogo e à colaboração com as
religiões, cujos valores espirituais, morais e sócio-culturais deviam ser
reconhecidos, conservados e promovidos (cf. n. 2). Assim, em um documento
preciso e extraordinariamente denso, foi inagurado um tema cuja importância à
época não era ainda previsível. Qual o papel este implique e quanto trabalho
seja necessário ainda fazer para distinguir, esclarecer e compreender aparece
sempre mais evidente. No processo de recepção ativa aos poucos emergiu também
uma fraqueza deste texto de per si extraordinário: ele fala da religião apenas
em modo positivo e ignora as formas doentias e perturbadas de religião, que do
ponto de vista histórico e teológico possuem uma grande alcance; por isso desde
o início a fé cristã foi muito crítica, seja interna seja externamente, diante
das religiões.
Se ao
início do concílio haviam prevalecido os episcopados centro-europeus com os
seus teólogos, durante as fases conciliares o raio do trabalho e da
responsabilidade comum alargou-se sempre mais. Os bispos se reconheciam
aprendizes na escola do Espírito Santo e na escola da colaboração recíproca,
mas exatamente deste modo se reconheciam como servidores da Palavra de Deus que
vivem e trabalham na fé. Os Padres conciliares não podiam e não queriam criar
uma Igreja nova, diferente. Não haviam nem o mandato e nem o encargo de
fazê-lo. Eram Padres do concílio com uma voz e um direito de decisão só
enquanto bispos, pode-se dizer em virtude do sacramento e na Igreja
sacramental. Por isso não podiam e não queriam criar uma fé diversa ou uma
Igreja nova, mas sim compreender ambas de modo mais profundo e portanto
verdadeiramente “renovar-lhes”. Por isso uma hermenêutica da ruptura é absurda,
contrária ao espírito e à vontade dos Padres conciliares.
No
cardeal Frings eu tive um “pai” que viveu de modo exemplar esse espírito do
concílio. Era um homem de forte abertura e grandeza, mas sabia também que só a
fé guia para ir para o aberto, para aquele amplo horizonte que permanece fechado
ao espírito positivista. É essa fé que queria servir com o mandato recebido
através do sacramento da ordenação episcopal. Não posso que lhe ser sempre
grato por haver levado a mim – o professor mais jovem da Faculdade teológica
católica da universidade de Bonn – como seu consultor à grande assembleia da
Igreja, permitindo-me de estar presente nesta escola e percorrer por dentro o
caminho do concílio. Neste volume estão recolhidos os diversos escritos com os
quais, naquela escola, pedi a palavra. Tratam-se de pedidos de palavra em tudo
fragmentárias, das quais transparece também o processo de aprendizagem que o
concílio e a sua recepção significaram e significam ainda hoje para mim. Desejo
que essas muitas contribuições, com todos os meus limites, no geral possam
ainda assim ajudar a compreender melhor o concílio e a traduzi-lo em uma
adequada vida eclesial. Agradeço de todo o coração ao arcebispo Gerhard Ludwig
Müller e os colaboradores do Institut Papst Benedikt XVI pelo extraordinário
empenho que assumiram para realizar este volume.
Castel
Gandolfo, na festa do santo bispo Eusébio de Vercelli, 2 de agosto de 2012
BENTO XVI
(©L’Osservatore
Romano 11 de outubro de 2012)
(Tradução da versão italiana publicada em L'Osservatore, por Laersio)
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Bento XVI relembra a Inauguração do Concílio Vaticano II
O L'Osservatore Romano, jornal oficioso da Santa Sé, publicará na edição de amanhã um volume especial sobre os cinquenta anos do Concílio. O exemplar será distribuído em italiano, inglês e espanhol. O texto de abertura é uma recordação de Bento XVI sobre o dia da inauguração do Concílio, que foi escrito para o volume de suas obras completas (Opera Omnia) que recolhe os textos do período conciliar. Publicaremos uma tradução do texto do Papa Bento XVI amanhã, no aniversário da abertura do maior evento eclesial do século XX. Abaixo, publicamos a notícia de capa da edição de amanhã de L'Osservatore:
Num escrito inédito Bento XVI recorda o dia 11 de Outubro de 1962
Um dia maravilhoso
No cinquentenário do Vaticano II o Papa reflecte sobre a lição
Os documentos do concílio Vaticano II permanecem «também para o nosso tempo,
uma bússola que permite que a barca da Igreja «se faça ao largo». Disse o Papa
na audiência geral realizada na praça de São Pedro na quarta-feira, 10 de
Outubro, vigília do cinquentenário da abertura da assembleia ecuménica, que
coincidirá com a abertura do Ano da fé. Retomando a expressão de João Paulo II –
que na Novo millennio ineunte definiu o Vaticano II uma «grande graça»
e
uma
«bússola segura» para a Igreja – Bento XVI recordou a necessidade de retomar os
textos conciliares «libertando-os de um excesso de publicações que muitas vezes
em vez de os dar a conhecer os esconderam». Só assim, segundo o Pontífice, é
possível aproximar-se da assembleia ecuménica como de «um grande afresco,
pintado na sua grande multiplicidade e variedade de elementos, sob a guia do
Espírito Santo».
Daquele «momento de graça – afirmou o Papa – continuamos também hoje a colher
a extraordinária riqueza, a redescobrir os seus excertos, fragmentos e partes
particulares». Para Bento XVI, que foi «testemunha directa» participando nele
como perito, o Vaticano II permanece portanto «uma experiência única», na qual
se manifestou o rosto de «uma Igreja viva que se põe na escola do Espírito
Santo, o verdadeiro motor do Concílio».
Para o nosso tempo, «marcado por um esquecimento e surdez em relação a Deus»,
aquele acontecimento histórico tem uma mensagem «simples» e «fundamental» para
anunciar: «o Cristianismo na sua essência consiste na fé em Deus, que é amor
trinitário, e no encontro, pessoal e comunitário, com Cristo que orienta e guia
a vida». O resto «é uma sua consequência».
O Concílio Vaticano II – concluiu Bento XVI – é para nós um forte apelo a
redescobrir todos os dias a nossa fé, a conhecê-la de modo profundo para uma
relação mais intensa com o Senhor, para viver totalmente a nossa vocação
cristã».
11 de outubro de 2012.
www.osservatoreromano.va
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Porta Fidei: um convite a renovar a Igreja pela Fé
O Papa Bento
XVI, em 11 de outubro de 2011, publicou uma Carta Apostólica sob forma de motu proprio (ou seja, por sua própria
vontade e iniciativa) para convocar um “Ano
da Fé”. A carta, que inicia com as palavras latinas “Porta Fidei” – a porta da Fé – apresenta em quinze pontos os
aspectos fundamentais de tal evento, que deverá chamar a atenção dos fiéis
católicos de todo o mundo entre 2012 e 2013 para a necessidade de revigorar a
adesão à Fé cristã católica, conhecendo-a com maior profundidade e
professando-a pessoal e comunitariamente.
Mas, o que é
um “Ano da Fé”? Ele vem a ser um período de proclamação pública dos artigos da
Fé e de renovado empenho em difundir as verdades neles contidas. Este não é o
primeiro a ser convocado, como recorda o Papa (Porta Fidei, n. 4). Já Paulo VI, para comemorar os 1900 anos do
martírio de São Pedro e São Paulo, convocara um Ano da Fé para 1967. Na ocasião
do encerramento do mesmo, o Papa Montini pronunciou a Profissão Solene de Fé,
conhecida como Credo do Povo de Deus.
O Ano da Fé
será celebrado entre 11 de outubro de 2012 e 24 de novembro de 2013. A primeira
data marca as comemorações do cinquentenário da Abertura do Concílio Ecumênico
Vaticano II e dos vinte anos do Catecismo da Igreja Católica. No mesmo mês será
celebrado um Sínodo dos Bispos dedicado à “Nova Evangelização”, ou seja, a
“re-evangelização” dos cristãos afastados. A segunda data, Solenidade de Cristo
Rei do Universo, é simbólica em si mesma: o Ano da Fé deve proclamar também a
verdade do reinado universal de Cristo.
As
comemorações que o Ano da Fé pretende açambarcar delineiam o rosto que Bento
XVI lhe quer imprimir: uma redescoberta das riquezas do Concílio Vaticano II e
sua validade para nossos dias e a necessidade de haurir das fontes da Tradição
e do Magistério os conteúdos da Fé para proclamá-los a todos quantos não os
conhecem ou os deixaram de lado nas vicissitudes da história, como dois
elementos fundamentais para a renovação da Igreja na continuidade com a
Tradição e a “reconquista” do espaço perdido no Ocidente nos últimos séculos.
O contexto profundo
que motivou o Papa a convocar um novo Ano da Fé pode ser divisado nas
entrelinhas do documento: é aquele de um crescente relativismo, que lança
dúvidas sobre toda e qualquer forma de verdade, inclusive as imemoráveis
verdades da Fé (cf. nn. 2, 8, 12, 15). O terreno no qual se movimentam os
cristãos tornou-se movediço: há uma sensação de que se está passando
rapidamente do claro-escuro da Fé (que ao mesmo tempo vela e revela a Verdade)
ao blackout generalizado das
consciências, tornadas opacas e refratárias à recepção da luz dessa mesma Fé.
Em síntese, Bento
XVI propõe o Ano da Fé como uma oportunidade de professar, celebrar e testemunhar a Fé (nn. 8-9) perante o
mundo pós-moderno, procurando fazer uma experiência firme e profunda com o
Cristo Ressuscitado (n. 15), proclamando a beleza de acreditar (nn. 2 e 13) e
anunciando com a vida e a prática da caridade a operosidade da fé cristã (n.
14). Este, acredita o Papa Ratzinger, é o caminho para renovar a Igreja,
revigorando-a a partir de dentro, de suas convicções mais profundas, de sua
própria relação com o Senhor.
Laersio da Silva Machado
(Artigo preparado para o Jornal do 3º ano de Teologia do IESMA)
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